Essa é uma história que todo mundo já conhece: desde 1993, quando Mortal Kombat 1 chegou para o Super Nintendo, a política de censura da Nintendo caiu na boca do povo e, escancarada de vez, apareceu um ponto importante da história: afinal de contas, qual é a da Nintendo? Esse é o ponto central da discussão a ser levantada aqui nesta nova série de reportagens investigativas. Com vocês, Old Repórter:
Antes de tudo, a Nintendo tinha uma série de diretrizes a seguir quanto a variados temas, fora a violência também tinha religião, temas adultos, nudez e outros. Veja você mesmo:
Nintendo of America’s Video Game Content Guidelines
Nintendo of America’s priority is to deliver high quality video game entertainment for our customers. When those customers are children, parental involvement in their game playing is recommended. Nintendo is concerned that our products do not contain material that society as a whole deems unacceptable.
Consequently, since 1988 we have consistently tested the content of all games developed for Nintendo systems against our evolving game standards. As our business has matured, we have adapted our guidelines to meet the concerns of the members of our target age group and their parents. Although we realize that definitions of social, cultural and political views are highly subjective, we will continue to provide consumers with entertainment that reflects the acceptable norms of society.
The following Game Content Guidelines are presented for assistance in the development of authorized game paks (i.e., both Nintendo and licensee game paks) by defining the type of content and themes inconsistent with Nintendo’s corporate and marketing philosophy. Although exceptions may be made to preserve the content of a game, Nintendo will not approve games for the NES, Game Boy or Super NES systems (i.e., audio-visual work, packaging, and instruction manuals) which:
• include sexually suggestive or explicit content including rape and/or nudity;
• contain language or depiction which specifically denigrates members of either sex;
• depict random, gratuitous, and/or excessive violence;
• depict graphic illustration of death;
• depict domestic violence and/or abuse;
• depict excessive force in a sports game beyond what is inherent in actual contact sports;
• reflect ethnic, religious, nationalistic, or sexual stereotypes of language; this includes symbols that are related to any type of racial, religious, nationalistic, or ethnic group, such as crosses, pentagrams, God, Gods (Roman mythological gods are acceptable), Satan, hell, Buddha;
• use profanity or obscenity in any form or incorporate language or gestures that could be offensive by prevailing public standards and tastes;
• incorporate or encourage the use of illegal drugs, smoking materials, and/or alcohol (Nintendo does not allow a beer or cigarette ad to be placed on an arena, stadium or playing field wall, or fence in a sports game);
• include subliminal political messages or overt political statements
(agradecimentos ao http://www.filibustercartoons.com de onde copiei isso tudo na maior cara de pau)
Mas aqui vamos ver, por hora, a parte da violência. Mortal Kombat no Super Nintendo, como dito, trouxe ao mundo esse lado mais obscuro da indústria, o que como qualquer outro olha se o conteúdo de seus produtos está de acordo com o seu público. Fácil de resolver, violência entra no meio dos fatores que pesam na decisão dos jogos serem lançados ou não. Nessa época que apareceu o Videogame Rating Council (VRC) que até hoje dá a classificação dos jogos, criado não por acaso graças à MK. Esse era um lançamento que não podia passar em branco mas ia de frente com o que prezavam. Diferente do que muitos pensam, não foi só a questão sangue que pesou em cima de MK. Era preciso ver o jogo pelo geral, e nesse departamento temos personagens e cenários digitalizados que mostravam as coisas de forma bem diferente dos outros jogos que até então eram só desenhados e com aparência de cartoon ou mangá de acordo com seu lugar de origem. Pessoas mais realistas lutando de forma mais realista chamava a atenção de uma forma diferente, na época muito mais que o normal pelos gráficos digitalizados serem uma tremenda novidade. Kano tinha aquelas facas, Scorpion um arpão, cabeças que eram arrancadas e explodidas, pessoas que queimavam até sobrar só o esqueleto, uma caverna com olhos brilhando ao fundo, uma ponte onde o fundo tinha espinhos, tudo isso num estilo gráfico novo. Pit Fighter também havia passado por esse processo e podem acreditar que sua platéia tão próxima e participativa com o cara e a garota que dão facadas e o velho com o taco foram bem estudados.
Como pudemos ver, tanto Pit Fighter quanto MK para sistemas Nintendo foram bem resumidos. Pit Fighter no Super Nintendo ficou uma coisa ridícula onde os golpes especiais ficaram limitados aos primeiros segundos de cada luta e o seu sistema de 3 botões agora usava todos os 6 do controle. MK não é preciso citar tudo o que aconteceu, sabemos muito bem o que houve e a Sega tirou proveito disso muito bem dando a escolha para o jogador ir lá com sangue ou não, ou nem tanto já que em algumas partes do mundo o código já vinha habilitado.
Então chegamos na primeira questão: até onde violência pode ir num sistema Nintendo? A resposta é fácil: no Japão, quanto quiser, na América quase nada. Na verdade isso se aplica a qualquer empresa, a verdade aqui nisso tudo é que sabemos o quanto esse pessoal é fresco com qualquer pouca coisa, foi azar da Nintendo conseguir contratar justamente os mais frescos de todos. Se MK foi um jogo, muitos outros através dos tempos tiveram mudanças ao cruzar o oceano, e não foram poucos mesmo. Pra começar bem, imagens de um jogo da própria Nintendo, Mother que pra cá ficou conhecido como Earthbound:

Olhando de perto, todos esses personagens tem sangue em algum lugar de sua roupa ou no chão, tudo removido. Vale avisar que nos outros pontos a serem mostrados esse jogo será usado novamente, ele será o principal exemplo de como parece que as duas vias da Nintendo são duas empresas totalmente diferente. De volta ao assunto, um outro título mais conhecido e muito querido por todos nós também faz parte disso tudo:
Uma constante aqui nessa série foi a tela título ser uma hemorragia só nas letras. O que é compreensível pois, afinal de contas, estamos falando do Drácula. Nessa hora descobrimos que até mesmo a Sega tem telhado de vidro e também deu uma maquiada na sua abertura, mudando o sangue por água e tirando o “Killer” do nome pra botar o mais do que genérico-sem sal-baba ovo-Spice Girls “The New Generation”.
Passado o tempo, a Nintendo tomou a porrada com o primeiro MK e por fim resolveu ser mais razoável, lançando MK 2 com tudo no lugar e muitos outros, como Killer Instinct, com a adição de uma opção para tirar o sangue caso o jogador deseje mas ao mesmo tempo vimos que outros como Samurai Shodown e Robocop VS Terminator tiveram cortes em todas as suas versões. Até um bom tempo depois o Nintendo 64 teve censura também mas a coisa ficou em detalhes que ora foram mesmo censura, como a garota que dá o troféu em Cruis’n USA que aparecia de biquíni no árcade e de camisa no videogame, ou por questões técnicas como as vacas que eram atropeladas e eram reduzidas a pedaços em Cruis’n World do arcade e sumiram totalmente da versão caseira, que teve gráficos horríveis e perdeu muitos outros detalhes.
Tudo o que foi visto até agora põe em xeque a credibilidade da Nintendo por seguir definitivamente uma atitude um tanto tirânica de censurar seus jogos sumariamente. Mas existem outros pontos a serem explorados, o que será visto nas continuações desta reportagem. Fique ligado para a segunda parte: o lado violento da Nintendo e mais comparações entre versões.
Arquivado em: Caiu na Rede, Old Games, Outras Merdas, Variedades Variadas | Etiquetado: abacabb, castlevania, censura, earthbound, fatality, japonesas peitudas, mortal kombat, mother, nintendo, old games investiga, old reporter, pit fighter, sangue, sega, vcr








Pois é, não iria custar nada se pusessem na tela de opção desses games a escolhe de ter ou não sangue, essas coisas. Mas é muita hipocrisia isso, até parece que alguém nunca viu sangue na vida ou uma mulher de bikini, ou mesmo se a pessoa tem pavor de sangue, ele nem era apresentado tão realístico nos games..
boa pesquisa! mas é isso, cada empresa com sua política, não poderia ser diferente nas de games…
Parabéns pelo artigo, Colimar!
Mas é isso mesmo que o Matt escreveu: cada empresa, uma política.
Em alguns pontos pode-se dizer que as coisas já melhoraram bastante. Os americanos sempre tiveram a fama de falsos moralistas. Não poderia ser diferente nos games.
Ainda mais associado ao preconceito de que video-game é “coisa de criança”. É tudo que se precisa pra uma censura descabida.
Olha, acho que isso não é culpa na Nintendo. Tá, a Nintendo pisou na bola feio com o MK e aprendeu com o erro. Mas acredito que teve uma época nos EUA quando esse “ultra-moralismo” era muito importante.
Digo isso porque a Sega também “censurou” jogos. Em especial, o Streets Of Rage 3, nos EUA, teve gráficos alterados. As mulheres inimigas tiveram pernas e barriga (e até os braços) cobertos. Um dos sub-chefes foi cortado do jogo (coisa até compreensível… o cara era um super-estereótipo de homossexual). Além disso, a imagem da Blaze no final do jogo também foi alterada.
http://soronline.classicgaming.gamespy.com/sor3_sor3vsbk3.htm
Isso sem falar na mudança de cores nos protagonistas, algo completamente sem fundamento. (li em algum lugar que era para ficar com cores mais “neutras”… bah, isso não convence)
Enfim, concluindo, acho que o problema não é só da Nintendo, acho que o problema está nos Estados Unidos como um todo, ou talvez até mesmo na cultura Ocidental como um todo.
Essa parte do streets of rage 3 e outras maquiadas que outras empresas já fizeram serão abordadas nas outras partes da investigação, a Nintendo está no título justamente pra chamar a atenção que eles acabam levando a culpa de qualquer censura que aparece. Aguardem a parte 2 para o mais rápido possível.
os games na nintendo são mais coloridos, com tons mais claros e são justo os games menos violentos que a nintendo deixa ir parar nos seus consoles.
MK revolucionou os jogos de luta, sobretudo por seu alto teor de violência e simulação da realidade.
Atualmente é banalizado pelos gamers, acostumados com jogos como os da séreie Resident Evil, Carmagedoon, e tantos outros que exacerbam a violência de forma inovadora…
Trata-se de uma questão contextual, onde a realidade histórica acaba implicando em atos como a censura e até mesmo a criminalização de atitudes e comportamentos.
Sobre o caso da Nintendo, a censura e modificação dos jogos não foram exclusivos a ela, mas permearam outros consoles, de praticamente todas as produtoras…
A questão da Nintendo é que ela sempre priorizou um público infantil em detrimento do adulto. Isso nos leva a entender a necessidade de privar certos conteúdos dos jogos. Por outro lado, algumas teorias desenvolvidas no campo da psicologia têm demonstrado que a violência, enquanto prática anti-social, é canalizada e amortizada em crianças com acesso a jogos de violência. Ou seja, a violência como estrutura natural psíquica do ser humano pode ser saciada pelos games, não estimulando atitudes e práticas reais no meio familiar, escolar, etc…
Essa é uma longa discussão. Por hora deixo apenas uma pequena contribuição!
[...] A censura de jogos não é coisa recente, inclusive isso ja foi abordado aqui em Quando a “CENSURA” vira “CORTE” e em Nintendo e a Censura! [...]